Trote 2: The Returns

10 02 2012

Inspirado pelo recente trote que apliquei aos embriões do melhor colégio do mundo, resolvi continuar minha não tão épica saga de pura epicidade. Agora, com vocês, com mais de um ano de idade, a história…

TROTE, PARTE DOISDOISDOISDOISDOIS (isso é o eco da minha epicidade retumbando em sua mente)

Aliás, olhando hoje, o título desse post parece tão fraquinho. Podia ter colocado um nome foda, tipo “A ÉPICA SAGA DE UM GAROTO E SEU TROTE” mas não, meu cérebro só conseguiu pensar em “Trote”. Sifudê.

Enfim,

Lá estava, eu com meus mirradinhos quatorze anos, músculos que não iam além do mínimo aceitável para um garotinho de 8 anos, cabelo grande e relativamente liso, óculos de grau que escorregava toda hora pra ponta do meu nariz, me forçando a levantá-los toda hora como um true nerd. Sintetizando, eu era o perfeito alvo para que um veterano que teve uma infância dura capinando quintal da vó com uma enxada de madeira descarregar sua raiva campestre em forma de uma chuva de violeta e pela remoção de minhas madeixas castanhas de cabelo.

Dito e feito. “OLHA O THE NERD AQUI!” foi a última frase que eu ouvi limpo. Senti um líquido correndo do topo da minha cabeça até as minhas chinelinhas havaianas, marcando todo o trajeto de roxo e me deixando mais proximo de Ivan Ooze. Maldito seja o filho de uma puta que permitiu a venda de violeta para adolescentes com daddy issues.

Eu, sujo de violeta

Eu, sujo de violeta

Pra você que nunca presenciou um trote e não sabe o que é violeta, deixe-me contar pra você mais sobre essa praga.

Violeta é uma tinta, apresentada aos humanos por Lúcifer. Se Deus criou o homem, o permitiu adquirir conhecimento ao próximo e um dia falou “pô, filho, faz uma escola grande ae pra ensinar pra esses putos a darem rumo pras vidas patéticas deles”, que acarretou na criação das universidades, o tinhoso chegou para a primeira turma que se formou, entregou um potinho azul e pequeno junto com a receita de como produzir aquela merda e disse “fode com os novatos aê”. Correm boatos de que os primeiros calouros ficaram com a violeta diretamente do inferno impregnada em sua cútis até o dia de seus falecimentos. Pobres coitados. Algum jeca desinformado me disse que isso é usado pra curar ferimento de gado, mas acho que é caô. Afinal, caipira sabe de nada não.

Essa tinta do capeta, é tipo fogo em palha, puta que pariu, onde encosta essa merda deixa marca e pra tirar se gasta muito sabão, água, sangue e lágrimas. E essa merda escorreu até o meu pé, passando por lugares inalcançáveis pelos meus braços, que não sei se ainda contém violeta PORQUE NÃO CONSIGO NEM VER NO ESPELHO. Mas, divago, de volta ao trote.

Tomo a primeira violetada e meu cabelo é picotado por tesouras sem ponta, que estavam praticamente mascando o meu cabelo, e logo sou arrastado pelo braço por um veterano aleatório (alias, todo mundo no trote parecia a mesma pessoa pra mim, não conhecia ninguem naquela porra) e colocado de mão dada com outras pessoas sem face que em breve viriam a ser meus colegas de colégio. Seguimos por alguns metros, sob cortes vorazes de tesoura no cabelo e jatos de violeta jogados aleatoriamente. Nesse trajeto conheci (e reencontrei o João do dia da matrícula) gente que viria a ser brother, como o sr. Lucas Dias, Pimpa e outras lendas. Daí um excelentíssimo filho de uma mãe veio e gritou: “ELEFANTINHO, EMBRIÃO!

OLHA EU RECICLANDO IMAGEM

THIS IS MADNESS e dói pra caralho

Daí fui nessa porra escrota, com o antebraço relando no saco de alguém na minha frente e tendo o meu próprio desconfortavelmente sendo pressionado por meu próprio braço, correndo até o calçadão de Viçosa. Chegando lá, os veteranos soltaram todo mundo and hell broke loose (me desculpem, não conseguir dizer “soltaram os cachorros”, “o inferno subiu” ou “as bixa ficaro tudo loka”). Descarregaram estoques de violeta, sujando qualquer embrião à vista, descoloriram cabelos dos descuidados com H2O2, depilaram aqueles com grande quantidade de pelos [e outros (eu) que quase não os tinham] nas pernas, e então foram introduzidos os alimentos no trote.

Tivemos os tradicionais, cebola à violeta, alho do oscar, ovos e o pior de tudo: PÓ DE CAFÉ. Puta merda, pó de café foi disparado uma das piores coisas daquele inferno. Chega o nego com uma colher com aquele pó marrom com cheiro bom. “COME ESSA PORRA AIEH EMBRIAO” (curiosamente, na minha cabeça, todos os veteranos que me deram trote são cariocas escrotos) são as palavras que foram proferidas antes do filho da puta meter a colher com aquele pó filho-da-putamente ruim na minha boca. O maxilar travou todo e cuspi no viadinho. Valeu a pena.

Ah, falei que me cortaram a roupa toda? Picotaram toda a minha blusa, deixando só a gola, e cortaram a minha bermuda toda por baixo, deixando ela de certa forma uma saia estampadaça (fui de roupa velhaça, estava precavido) deixando à mostra minhas belas BOXERS VERMELHAS, o que rendeu inúmeros gritos semelhantes a “IH A LA O DE NERDE COM A CUEQUINHA VREMEIA“. Agora imagina sair do lugar onde ocorreu o trote sem o mínimo senso de direção e ter de pedir informação pras pessoas na rua parecendo um prisioneiro Smurf de guerra.  Eu só me fodo, puta que pariu.

Enfim, esse foi o fim de mais uma das minhas quase-épicas sagas, espero que você tenha curtido. Compartilhe no Facebook ou twitte sobre, até divulgue a URL pra um amigo. Agradecido!





Trote

17 07 2011

Olá você que está esperando esse post a 6 meses já tomou trote (ou não).

Após esse longo hiato, meu estudo não estando presente entre os fatores causadores desse mesmo (minhas notas comprovam isso, mas não vem ao caso), voltei pra empestear essa coisa linda que se chama internerd.

Felizes estudantes se integrando ao corpo discente da UNB

Enfim, venho falar sobre uma coisa que me assombrou entre as fases “CARALHO MANO, PASSEI NO COLUNI, PQP, QUE CAGADA“, “PQP, tô fudido, agora que passei nessa merda tenho que estudar pra caralho” e a fase “porra mano, agora que cheguei aqui que lembrei que tem trote, fudeu“, o famigerado TROTE.

Pra você, alienado que vive debaixo de uma rocha à base de sucrilhos com leite vida infinita, trote é uma espécie de ritual de admissão (ilegal, aliás) realizado por alunos mais velhos (os “veteranos”), loucos para descontar seu ano de frustração escolar e o trote do ano passado, nos alunos novatos (“embriões”, no caso do Coluni e “calouros, em caso de universidade) que chegam achando tudo muito foda e lindo, concepção destruída após o contato com a primeira gota de violeta e o primeiro fio de cabelo decepado pelas tesouras levemente cegas e tortas dos veteranos.

Então no meu primeiro dia de “aula” (visto que não houve aula, foi somente uma apresentação), cheguei de carona com meu pai até a porta do colégio, pulei do carro, recebi uma expressão de “boa sorte” do meu pai, e entrei pro Coluni enquanto meu pai ia para a reunião com os professores que aconteceria mais tarde. Chegando lá dentro, o diretor apresentou os outros professores e houve uma excêntrica apresentação de dança com a professora de artes.

Aliás, fato engraçado: eu estava tão aflito com esse maldito trote que perdi a “Tia” Rita dançando! Eu, presente lá no momento, não conseguia prestar atenção em nada que ocorria no anfiteatro, preocupado com o trote que se estendia diante de mim (e com razão). Não conheci os professores nem vi Tia Rita dançando. Merda.

Então, finalizados os ritos de boas vindas aos futuros torturados pelo sistema de ensino governamental mais bruto do país (MELHOR DE MINAS E MELHOR PÚBLICA DO BRASIL, diga-se de passagem *assovios*), fiquei mais uns 2 minutinhos analisando as redondezas e guardando o máximo de rostos possível para futuras possíveis conversas ou pra já desagradar de uma vez de quem eu inevitavelmente viria a desagradar. Enchi o peito, desci o pequeno lance de escadas e, olhando aquele mar de gente, abri a porta e saí do Coluni, pronto pra me fuder.

Chego lá fora, a luz fere um pouco meus olhos (mentira) e dou alguns passos. Penso “ah, o povo deve ter esquecido do trote, não vai dar nada”. Vejo então um veterano sacar uma tesourinha de escola, bem comum e decepar o cabelo de um embrião que ousou ir ao trote de cabelo comprido. Até que ouço um grito que marcava o começo de um trote FUDIDO: “AÍ GALERA, OLHA O LUCAS THE NERD AQUI“. Pensei: FUDEO, CHAMPS

*CONTINUA NUM PRÓXIMO POST*





Trip to Conception of the Bar

24 01 2011

Olá você que gosta de viajar com a família nas férias. Olá você que também não gosta.

E aí.

Nesse post vou falar de uma das viagens de férias que mais me marcou (não, não foi uma viagem à savana africana que me deixou cheio de cicatrizes), foi uma viagem pra Conceição da Barra (guarde esse nome e NUNCA vá pra lá). Antes de relatar isso, eu quero amaldiçoar a pessoa que recomendou essa porcaria de lugar à minha mãe, e mais 4 gerações da família dela. Não, eu não sei quem foi, mas se eu descobrir, juro que queimarei a casa da maldita pessoa e jogarei sal na terra para que ela seja forever infértil.

Conceição da Barra é uma cidade litorânea que fica, mais ou menos na divisa da Bahia com Espírito Santo. Disseram que o lugar era lindo e foda. Volte à parte em que eu amaldiçôo a pessoa que recomendou essa bosta de lugar pra minha mãe. Estavamos numa expectativa do caralho pra essa viagem, mesmo comigo odiando ir à praia.

 

Sim, essa porra aí é a cidade toda

A viagem já começou mal. Um casal de amigos da minha mãe viajou antes de nós e ficou hospedado no mesmo hotel em que ficaríamos. Saímos de Alvinópolis e a viagem era pra durar mais ou menos 12 horas. Não foi o que rolou.

Meu pai (que já tinha se informado do caminho e imprimido os mapinhas no Google Maps) conseguiu se perder dentro do sertão [?] do Espírito Santo, que era formado por milhares de cidadezinhas idênticas. E com um atraso de umas 3 horas e meia, chegamos no hotel. O hotel se chamava “Hotel Praia da Barra”, e eu duvido que o inferno seja muito pior que esse lugar.

A propaganda do Hotel era a seguinte: “São 50 apartamentos de luxo, com varanda e rede, com vista para os jardins e frente para o mar. Completos com ar condicionado, tv à cores, frigobar e telefone além de Internet Wireless (Sem Fio).

IT'S A LIE!

Sim, o apartamento tinha tudo isso (menos a varanda de merda). Ar condicionado empoeirado que não mudou em NADA o ambiente, vista pro mar com marimbondos na janela e morcegos para complementar a vista, TV à cores com 3 canais (2 evangélicos, o outro era Band), frigobar com ambiente melhor que o do quarto e cheio de formigas, telefone estragado e internet não funcional.

Após dormirmos às 4 horas da manhã, acordei com 15 novas deformações na coluna e desci pra tomar o café com a galera. Após esperarmos um dos empregados do hotel comprar o pão (SIM, ISSO REALMENTE ACONTECEU), comemos um dos melhores cafés da manhã da nossa vida, que incluia bolo esfarelado, suco de rosa e suco de amarelo, além de pão dormido de excelente qualidade, que foi servido com manteiga rançosa e 3 fatias de mussarela e presunto pra umas 12 pessoas.

Lies, damn lies.

Como todos (eu, meu pai, minha mãe e meu irmão, além dos outros dois casais, um deles com 2 rebentos) ficaram putos pra caralho decepcionados com a má qualidade dos serviços prestados pelo hotel, decidimos cancelar as reservas que tinhamos feito e procurar um outro lugar pra se fuder menos tentar aproveitar o resto da viagem. Arrumamos nossas sacolinhas com marmitas e roupas embrulhadas em papel de presente para uso único bagagens e partimos pra procurar um novo hotel.

Após descobrir que essa cidadezinha decrépita não tinha mais nenhum lugar decente para nos hospedarmos, descobrimos que tinha uma cidade igualzinha parecida com Conceição da Barra nos arredores (Guriri) e tentamos nossa sorte com um dos hotéis de lá, que se provou muito bom, o completo oposto do outro. Não vou falar o nome desse hotel pra não fazer propaganda. ;D

O lugar tinha uma piscina maneira (e mais importante, eu dava pé nela), as refeições eram bem decentes, o staff era agradável com os hóspedes e a internet funcionava! Usando a wi-fi de lá, consegui “acompanhar” a briga da menina de que eu gostava na época com a melhor amiga dela, haha (old, but not so good times).

O resto da viagem correu às mil maravilhas, exceto pelo fato de que um dos filhos do outro casal passou mal, mas no outro dia o carinha já tava ótimo. Comi sushi, fiz castelo de areia (que na verdade era uma fortaleza, com um calabouço inclusive), joguei areia no meu irmão e tomei inúmeros caldos no mar.

Enfim, não foi uma viagem totalmente negativa. Apesar de não ter nem avistado nenhuma menina bonita/gostosa lá, o lugar é bonito, as praias eram limpas (inclusive eram protegidas pelo e tal) e o clima tava bom. Ficamos alguns dias lá e voltamos para esse meu pedaço de fim do mundo que amo muito.

Bom galera, é isso! Se você gostou, deixe um comentário. Se não gostou, deixe um comentário também, de preferência falando do que você não gostou. Até mais, ser humano!

Fotos do hotel retirados do site do mesmo: http://www.hotelpraiadabarra.com.br/ (entrem e chinguem!)

PS: Ainda tenho que arrumar o layout e arranjar um banner pra essa coisa, mas por enquanto vou levando nesse meu improviso de blog mesmo.